Carpe diem

6.25.2009

 

De fato, as coisas se conectam. Como a Dóri falando sobre nostalgia no último post e eu sentindo nostalgia hoje cedo.
Todo mundo sempre reclama que dias de chuva as deixam desanimadas. Comigo, é sempre ao contrário: a chuva me anima. Como teria sido hoje, se hoje fosse um dia comum. Mas tudo conspira.
Levantei cedo para resolver assuntos no Centro, e levantei bem - mesmo que tivesse tido uma crise de choro de madrugada, quando demorei séculos para conseguir dormir (maldita insônia) e fui acordada vinte minutos depois aos gritos da minha mãe, que é incapaz de cuidar da minha vó. Levantei, levei-a ao banheiro e de volta à cama. Ajudei-a a se deitar. Tudo isso me fez perder meia hora de sono. Ainda que foi só uma vez essa noite, mas geralmente são duas ou três nos últimos dias, desde o fatídico domingo. Meu ombro dói - eu tenho algo do tipo bursite no ombro direito - pela força que ela faz no meu braço, apertando. Como ela se segura em mim, meu braço fica de mau jeito por cerca de dez minutos, o trajeto ida e volta do banheiro. Chorei de dor e cansaço essa madrugada, até demorar mais vinte minutos para conseguir voltar a dormir, e então voltamos ao início da história: eu acordei, desejando que não o tivesse feito.
Resolvi o primeiro assunto em menos de cinco minutos e ainda resolvi metade do segundo assunto - que não pôde ser resolvido por completo. Voltei pra casa e encontrei a ambulância do plano de saúde da vó já com ela dentro, dando de cara com a minha tia na porta, que a acompanharia ao hospital. Minha vó quer ficar internada. O que eu penso disso? A primeira coisa é que, estando lá, ela fica mais sujeita e exposta a doenças mil, e a segunda é que ela é mal agradecida. Eu, minha mãe e minha tia estamos nos esforçando ao máximo. Eu não reclamei, eu não estava reclamando até ela ficar praticamente se jogando, reclamando da dor logo depois e falando como seria bom se a tivessem internado domingo. Hoje cedo, quando minha tia disse que a levaria ao hospital, ela sequer reclamou de dor enquanto pegava as coisas - como costumava fazer para comer, ir ao banheiro ou outras coisas comuns. Okay, quer saber? Que vá ao hospital, se interne e me deixe em paz por algum tempo. Sim, eu tenho total noção de que estou sendo ridícula e que eu não queria estar dizendo isso, mas eu estou dizendo. Eu estou em um ambiente estressante e, como se não bastassem os meus medos, os meus anseios e os meus sentimentos todos nesse turbilhão hormonal maldito que é a porra da adolescência, estou em ano de vestibular. É, isso já diz quase tudo: eu estou sob pressão. As pessoas em casa desafiam as minhas capacidades. Meu pai joga na minha cara que seria ótimo se eu já estivesse na faculdade e me pergunta o que eu farei se não passar. Meu irmão diz que eu sou inútil (e eu concordo). Minha mãe foi capaz de dizer sábado que só vou entrar na faculdade junto com meu irmão, que pretende fazer a sua em dois anos. Pressão? Mais do que isso: chantagem. Desafio. Descaso. Porque parece ser a minha obrigação fazer tudo nesse mundo, inclusive a faculdade da minha mãe e passar no meu vestibular. Meu vestibular que, por sinal, será em DEZ DIAS. Duas provas. Eu tenho DEZ DIAS para conseguir me colocar em uma situação normal, dez dias para retomar meu rumo. Teoricamente, dez dias para estudar.
Mas eu não quero passar. Não agora. Eu quero, mas meu medo de perder tudo o que eu consegui e conquistei até hoje me faz não querer. Meu medo de ficar longe das pessoas que eu amo me faz não querer. Mas a minha vontade de sumir de casa... essa sim me faz querer, e querer da forma mais cruel possível: sonhar, ansiar. E dói não saber mais o que eu quero, mesmo que eu fosse aquela pessoa decidida.
Minhas nostalgias? Meu passado, minha vida, minha infância, as pessoas. Os fatos. Quem eu amei. Quem eu queria ter amado. Quem eu descartei da minha vida por imposição. Quem mudou tanto que acabou se afastando. Quem eu tenho medo que se afaste.
Eu sei, eu sei, começarei uma nova vida - vou fazer faculdade FORA daqui da cidade. Ou fora do estado, se eu passar agora. Mas eu me conheço: eu me fecho quando eu estou sozinha. Eu tenho medo de me envolver com novas pessoas por medo de perdê-las futuramente ou por medo de perder as antigas. O que é extremamente babaca.
Carpe diem. Carpe diem. Carpe diem.

"Trouble is the only way is down"
Carry You Home @ James Blunt

1 mad guys:

Anônimo disse...

eu sinto muito pela sua avó. de verdade.